Essa é uma pergunta que todo escritor se fez ou irá se fazer ao longo do seu desenvolvimento profissional e não é nada simples de ser respondida.
Em um primeiro momento, escrever surge como uma necessidade, uma inquietação, um aperreio, como dizemos aqui no Nordeste, de um sujeito que anseia se expressar, dar vida, por meio de palavras, a um mundo que existe apenas em si. Afinal, “dentro de cada pessoa tem um cantinho escondido”, ou um “infinito particular” para usar versos de Marisa Monte.
Quem lê com frequência vai colecionando universos, personagens, sentimentos que, no seu “de dentro”, são sintetizados e começam a querer ganhar vida própria, a se transformar em uma história nova que, na verdade, nem é tão nova assim, pois vivemos redizendo, recontando os mesmos contos, nossas velhas inquietações e esperanças humanas.
Assim, é inegável, que, no início, escrevemos para nós mesmos e que devemos continuar a escrever. Mas, também é a mais pura das verdades que escrevemos para sermos lidos. Não há nada mais triste do que um escritor que ninguém lê.
E quem nos lê? Quem gostaríamos que nos lesse?
Todo escritor tem o seu leitor virtual e ideal e é imprescindível que seja assim.
O pessoal da publicidade fala em persona, um termo que lembra personagem, uma criação. Para o escritor também é preciso que haja uma persona clara desde o início do projeto de um livro.
Na construção de uma narrativa, a projeção inicial de um leitor é essencial e determinante para a escolha do tipo de narrador, do enredo, das personagens, do discurso e de tudo mais.
E então: para quem você escreve?





